quarta-feira, 28 de agosto de 2013

DETESTAÇÃO DOS PECADOS – Coletânea de citações do Catecismo Romano


Consiste a penitência interior em converter-nos a Deus de todo o coração; em aborrecer e odiar os pecados cometidos; em firmar-nos no determinado propósito de mudar de vida e corrigir os maus costumes: mas tudo isso na esperança de conseguirmos perdão da misericórdia divina. A esta penitência se associa, quase como companheira da detestação dos pecados, uma certa dor e tristeza, uma perturbação sensível a que muitos dão o nome de paixão.
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Dela formularam os Padres do Concilio de Trento a seguinte definição; "Contrição é uma dor da alma, e uma detestação do pecado cometido, com o firme propósito de não tornar a pecar".
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Através desta definição, os fiéis hão de reconhecer que a essência da contrição não consiste apenas em deixar alguém de pecar, ou em decidir uma mudança de vida, ou até em começá-la
realmente; mas, antes de tudo, em odiar e detestar os erros da vida passada.
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Já que definimos a contrição como uma dor, cumpre advertir os fiéis não suponham que sejauma dor perceptível aos sentidos corporais. Pois a contrição é um ato da vontade. Santo Agostinho explicava que a dor (sensível) é uma companheira da penitência, mas não é a própria penitencia.

Todavia, os Padres do Concílio usaram da expressão "dor", para designar a detestação e o ódio do pecado, Já porque assim lhe chamam as Sagradas Escrituras - por exemplo, nas palavras de David: "Até quando nutrirei dúvidas em minha alma, e dor em meu coração, durante o dia inteiro?''; já porque, da própria contrição, nasce uma dor na parte inferior da alma, sede da concupiscência.

Havia, pois, cabimento em se definir como dor a contrição, porque esta causa dor realmente.

Há muita propriedade em chamar contrição a detestação dos pecados, de que estamos tratando, porque o termo exprime, perfeitamente, a ação violenta dessa dor.
A força do arrependimento deve contundir e triturar os nossos corações, que a soberba deixou empedernidos. Por isso, a nenhuma outra dor se aplica essa designação, nem à dor que sentimos pela morte de pais ou filhos, ou por qualquer outra desgraça. E' um termo privativo, para exprimir a dor que nos empolga, quando perdemos a graça de Deus e a inocência da alma. Sem embargo, existem ainda outras expressões para designar a detestação dos pecados. Chama-se também contrição do coração. Os Santos Padres chamavam-lhe também compunção do coração, e gostavam desse termo, 'para intitular as obras que escreveram sobre a penitência. Pois, do mesmo modo que se cortam os tumores com um ferro, para que possa vazar o pus acumulada: assim também se cortam os corações com o escalpelo da contrição, para que possam eliminar o veneno mortal do pecado. Por essa mesma semelhança, o Profeta Joel considera a contrição como o ato de rasgar o coração: "Convertei-vos a Mim, de todo o vosso coração, com jejuns, com lágrimas, com lamentos. E rasgai os vossos corações".
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A dor pelos pecados deve ser suma e máxima, de maneira que se não possa conceber outra maior.
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Se devemos amar a Deus sobre todas as coisas, devemos pela mesma razão detestar, acima de tudo, o que nos traz inimizade com Deus.
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Demais, se Deus é o maior bem, entre todas as coisas dignas de serem amadas, o pecado é o maior mal entre todas as coisas que o homem deve odiar. Portanto, pela mesma razão que nos leva a reconhecer, em Deus, o objeto de um amor absoluto e soberano, devemos também tomar-nos de um ódio inexcedível contra o pecado.
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Como, no sentir de São Bernardo, a caridade não comporta limites, porque a medida de amar a Deus é amá-lo sem medida, assim também não se pode por limites à detestação do pecado.
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Há pessoas que pela morte dos filhos experimentam uma dor mais sensível, do que pela torpeza do pecado. Aplique-se o mesmo princípio, quando as lágrimas não acompanham a veemência da contrição. Sem embargo, são elas desejáveis e muito recomendáveis conforme o declaram as incisivas palavras de Santo Agostinho: "Não tens entranhas de caridade cristã, se choras um corpo de que a alma se separou, e não choras uma alma da qual Deus se apartou ...
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Deus não faz delongas em nos dar o perdão, e com amor paternal acolhe o pecador, desde que este caia em e se converta ao Senhor, detestando em geral todos os seus pecados, com a intenção de recordá-los mais tarde, na medida do possível, para detestar cada um deles em particular.
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Antes de tudo, peça também os auxílios da divina graça, para não recair nos mesmas pecados, que tanto lhe pesa haver cometido..
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Só com o receio de agravar em alguma coisa a majestade de Deus, largamos então definitivamente o hábito de pecar.

Um comentário:

  1. O Pecado é uma verdadeira mancha em nossa alma que nos leva a eterna DOR e que nos afasta do Pai.
    infelizmente o mundo esta cada vez mais mergulhando
    neste abismo.

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