segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Papel especial de Maria nos últimos tempos


por São Luis Maria Grignion de Montfort

Por meio de Maria começou a salvação do mundo e é por Maria que deve ser consumada. Na primeira vinda de Jesus Cristo, Maria quase não apareceu, para que os homens, ainda insuficientemente instruídos e esclarecidos sobre a pessoa de seu Filho, não se lhe apegassem demais e grosseiramente, afastando-se, assim, da verdade. E isto teria aparentemente acontecido devido aos encantos admiráveis com que o próprio Deus lhe havia ornado a aparência exterior. [...]

Mas, na segunda vinda de Jesus Cristo, Maria deverá ser conhecida e revelada pelo Espírito Santo, a fim de que por ela seja Jesus Cristo conhecido, amado e servido, pois já não subsistem as razões que levaram o Espírito Santo a ocultar sua esposa durante a vida e a revelá-la só pouco depois da pregação do Evangelho.[...]

Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e graça. Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e desviados que se converterão e voltarão ao seio da Igreja católica; em força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos, maometanos, judeus e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários. Deve, enfim, resplandecer em graça, para animar e sustentar os valentes soldados e fiéis de Jesus Cristo que pugnarão
por seus interesses.

Maria deve ser, enfim, terrível para o demônio e seus sequazes como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe dão para vencer”.

(Do livro: TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM)


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A alma das crianças não batizadas sofrerá uma pena espiritual?

por São Tomás de Aquino

Parece que a alma das crianças não batizadas sofrerá uma pena espiritual.

1. Pois, como diz Crisóstomo, para os danados será mais grave a pena de serem privados da visão de Deus que a de serem queimados pelo fogo do inferno. Ora, as crianças ficarão privadas da visão divina. Logo,sofrerão com isso uma pena espiritual.

2. Demais. Ficarmos privados do que queremos ter não pode ser sem algum sofrimento. Ora, as crianças quererão gozar da visão de Deus, do contrário teriam uma vontade atualmente perversa, Logo, não gozando dela, hão de sofrer.

3. Demais. Se se disser que nada sofrerão por saberem que dela não foram privados por culpa própria, objeta-se em contrário. A imunidade da culpa, longe de diminuir, aumenta a dor da pena; pois, não é por ser deserdado ou mutilado sem culpa, que alguém sofrerá menos. Logo, não será por serem privadas sem culpa de um tão grande bem, que as crianças ficarão isentas de dor.

4. Demais. Assim como as crianças batizadas estão para os méritos de Cristo, assim os não-batizados para o demérito de Adão. Ora, as crianças batizadas alcançam, pelo mérito de Cristo, o prêmio da vida eterna. Logo, também as não batizadas sofrem dor por serem privadas da vida eterna, pelo demérito de Adão.

5. Demais. Não é possível separarmo-nos do bem amado sem sofrermos dor. Ora, as crianças terão um conhecimento natural de Deus e, pela mesma razão, o amarão naturalmente. Logo, ficando perpetuamente separados dele, parece que não poderão sem dor sofrer essa separação.

Mas, em contrário. Se as crianças não-batizadas sofrerem interiormente depois da morte, sê-lo-á por culpa ou por pena. Se da culpa, como dessa não poderão mais purificar-se, essa dor lhes será uma causa de desesperação. Ora,essa dor nos condenados é o verme da consciência. Logo, as crianças sofrerão a pena do verme de consciência. E assim, a pena delas não será a mais fraca de todas, como diz o Mestre. Se porém sofressem uma pena, como essa pena lhes teria sido justamente imposta por Deus, a vontade delas se oporia à justiça divina. E então teria uma deformidade atual. O que é inadmissível. Logo, não sentirão nenhuma dor.

2. Demais. A razão reta não sofre que nos perturbemos pelo que não podemos evitar; e assim, como o demonstra Sêneca, o sábio não é susceptível de nenhuma turbação. Ora, nas crianças a razão reta não sofreu nenhum desvio pelo pecado
atual. Logo, nenhuma perturbação sofrerão por padecerem uma pena que não puderam evitar.

SOLUÇÃO. Nesta matéria há três opiniões

Uns dizem que as referidas crianças não padecerão nenhuma dor, porque de forma lhes estará obscurecida a razão, que não saberão o bem que perderam. ─ Mas não é provável, que a alma, livre do liame do corpo, não conheça aquilo que a razão tem o poder de investigar e ainda muito mais.

Por isso outros dizem, que tem um conhecimento perfeito de tudo o que a razão natural pode investigar, conhecem a Deus, sabem estarem privados da contemplação divina, e por isso de certo modo sofrem. Esse sofrimento porém lhes ficará mitigado, por não terem voluntariamente incorrido na culpa pela qual foram condenadas, Mas esta opinião também não parece provável. Porque a dor não pode ser pequena, causada pela perda de um tão grande bem e sem esperança de recuperá-lo. A pena delas não poderá pois ser brandíssima. Além disso, absolutamente pela mesma razão pela qual não serão punidas pelo agente externo da dor sensível, não sentirão também a dor interna. Porque a dor da pena corresponde ao prazer da culpa. Portanto, não sendo a culpa original acompanhada de nenhum prazer, dela ficará excluída toda dor penal.

Por isso outros opinam que terão conhecimento perfeito de tudo o que pode ser alcançado pela razão natural, saberão que estão privados da vida eterna, conhecerão a causa dessa privação, mas isso tudo não lhes causará nenhuma espécie de sofrimento. Vejamos, porém, como isso é possível.

Devemos saber, que ninguém, de razão reta, se afligirá por ficar privado do que lhe excede a capacidade, senão só se o for daquilo a que tem direito. Assim, nenhum homem sensato sofrerá por não poder voar como a ave; nem por não ser rei ou imperador, se a isso não tem direito. Sofreria porém ficando privado do que de certo modo lhe corresponde à capacidade. Ora, afirmo que todo homem dotado de livre arbítrio é capaz de alcançar a vida eterna; pois pode preparar-se para a graça,que o fará merecer.

Portanto, perdendo-a, sofrerá a máxima das dores, por ter perdido um bem que poderia ter alcançado. Ora, as crianças não foram nunca de porte a poderem chegar à vida eterna. Pois, esta, excedente à toda capacidade natural, não lhes é devida em virtude do princípio da natureza; nem podem praticar qualquer ato capaz de as fazer alcançar tão grande bem. Por onde, nenhum sofrimento padecerão, por ficarem privadas da visão divina; ao contrário, terão grande gozo por participarem largamente da bondade divina e das suas perfeições naturais.

Nem se pode dizer que fossem proporcionadas à consecução da vida eterna,se não por atos próprios, ao menos mediante atos de outros, que as teriam podido batizar. Assim, muitas crianças nas mesmas condições foram batizadas e ganharam a vida eterna. Pois tal explicação não colhe, porque só por uma graça mui especial poderíamos ser premiados por atos que não praticamos. Por onde, a privação dessa graça não causa às crianças mortas sem batismo maior pena que as que houvesse de sofrer um homem sensato por não ter recebido as mesmas graças conferidas aos seus semelhantes.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. Os condenados por uma culpa atual, tendo tido o uso do livre arbítrio, tinham também a capacidade de alcançar a vida eterna; mas tal não se dá com as crianças, como dissemos. Logo, não há símil em ambos os casos.

RESPOSTA À SEGUNDA. Embora a vontade possa querer tanto o possível como o impossível, conforme o ensina Aristóteles, contudo uma vontade ordenada e completa não pode querer senão aquilo do que o sujeito é de certo modo ordenado.

E quem não puder satisfazer à sua vontade nessas condições, com isso sofrerá; mas não sofrerá não conseguindo o que não lhe era possível obter. E a isto se chamaria antes veleidade que vontade; pois, tal objeto ninguém o quereria absolutamente falando, mas só se fosse possível.

RESPOSTA À TERCEIRA. Todos temos a possibilidade de conseguir um patrimônio e de conservar a integridade do nosso corpo. Nada há pois de admirar se sofrermos, perdendo-os, por culpa quer nossa, quer alheia. Por onde é claro que a objeção, fundada em tal símile, não colhe.

RESPOSTA À QUARTA. O dom de Cristo excede ao pecado de Adão, como diz o Apóstolo. Por isso, não é forçoso haja entre uma criança não-batizada, e o mal que sofre, a mesma correlação existente entre a batizada e o bem que frui.

RESPOSTA À QUINTA. Embora as crianças não-batizadas fiquem privadas da união com Deus pela glória, contudo dele não ficam totalmente separadas. Ao contrário, com ele ficam unidas pela participação dos bens naturais. E assim de Deus poderão gozar pelo conhecimento e amor naturais.


Fonte: São Tomás de Aquino, Suma, Ia pars, Q23. A3.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O julgamento do homem espiritual

por Santo Agostinho

Ele julga tudo, significa que tem autoridade sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu, sobre os animais domésticos e selvagens, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que nela se arrastam. Exerce esse poder pela inteligência, pela qual percebe as coisas que são do Espírito de Deus. Mas, elevado a tão grande honra, o homem não entendeu sua dignidade, igualou-se aos jumentos insensatos, tornando-se semelhante a eles.

Por isso, na tua Igreja, Senhor, pela graça que lhe concedeste, pois somos obra tua, e criados para obras boas, tanto os que governam como os que obedecem segundo o Espírito tem o dom de julgar.

Porque assim fizeste a criatura humana homem e mulher, em tua graça espiritual, onde não há distinção conforme o sexo, nem judeu nem grego, nem escravo nem homem livre. Os espirituais, portanto, tanto os que presidem como os que obedecem, julgam espiritualmente. Eles não julgam conhecimentos espirituais que brilham no firmamento, pois não lhes cabe fazer juízos sobre tão sublime autoridade. Nem julgam tua Escritura, mesmo em suas passagens obscuras: nós lhe submetemos nossa inteligência, e temos
certeza de que até aquilo que está oculto à nossa compreensão é justo e verdadeiro.

O homem, pois, embora já espiritual e renovado pelo conhecimento, conforme a imagem de seu criador, deve ser cumpridor da lei, e não seu juiz. Nem pode ajuizar sobre o que distingue espirituais e carnais. Somente teus olhos, meu Senhor, os distinguem, mesmo que nenhuma obra sua os tenha revelado a nós, para que os reconheçamos por seus frutos. Mas tu, Senhor, já os conheces e os classificaste, e os chamaste no segredo de teu pensamento, antes de ter criado o firmamento. Tampouco julga, o homem espiritual, os povos inquietos deste mundo. De fato, por que julgaria ele os que estão fora, ignorando quem alcançará a doçura da tua graça, e quem permanecerá na eterna amargura da impiedade?

Por isso, o homem que criaste à tua imagem, não recebeu poder sobre os astros do céu, nem sobre o mesmo céu misterioso, nem sobre o dia e a noite que chamaste à existência antes da criação do céu, nem sobre a massa das águas, que é o mar. Mas recebeu poder sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre todos os animais, sobre toda a terra, e sobre tudo o que se arrasta pela superfície do solo.

Ele julga e aprova o que acha bom, e reprova o que acha mau, quer na celebração dos sacramentos, com que são iniciados os que na tua misericórdia tira das águas profundas, quer no banquete em que se serve o peixe tirado das profundezas para alimento da terra fiel; quer nas palavras e expressões sujeitas à autoridade de teu Livro que, semelhantes aos pássaros, voam sob o firmamento: interpretações, exposições, discussões, bênçãos e invocações que brotam sonoras da boca, para que o povo responda: Amém! É necessário que essas palavras sejam enunciadas fisicamente, por causa do abismo do mundo e da cegueira da carne que, impossibilitada de ver o pensamento, tem necessidade de sons que firam os ouvidos. Assim, sem dúvida é sobre a terra que as aves se multiplicam, embora tenham suas origens na água.

O homem espiritual julga também aprovando o que acha correto e reprovando o que é vicioso nas obras e nos costumes dos fieis. Julga das suas esmolas, comparáveis aos frutos da terra; ele julga a alma viva pelas paixões domadas pela castidade, os jejuns, e pelos pensamentos piedosos, na medida em que essas coisas se manifestam aos sentidos do corpo. Em resumo, é juiz de tudo o que pode se corrigir.

(Da obra Confissões)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

JESUS CRISTO: Rei da Igreja, Rei de todos os homens, Rei de todos os Estados


por Pe. Mathias Gaudron

JESUS CRISTO É REI DA SOCIEDADE TEMPORAL?
Jesus Cristo não é apenas Rei da Igreja ou dos fiéis, mas também de todos os homens e de todos os Estados. Ele mesmo o disse antes de Sua Ascensão: "Todo poder Me foi dado no Céu e sobre a Terra" (MT 28, 18). Ele é Rei do mundo inteiro, nada pode se subtrair ao Seu poder.

Quais são os fundamentos da Realeza de Cristo?
O Papa Pio XI ensina na Encíclica Quas primas que Cristo tem um duplo direito à Realeza: Ele é Rei por natureza, em razão de um direito inato (Ele é o homem-Deus); Ele é Rei por conquista, por um direito adquirido (tendo resgatado o mundo, adquiriu, para si, todos os homens no Seu Sangue).

Essa Realeza de Cristo não se restringe apenas aos batizados?
Pio XI cita a esse propósito seu predecessor, Leão XIII: "Seu Império não se restringe apenas, exclusivamente, às nações católicas, nem somente aos cristãos batizados (...): abrange, igualmente, sem exceção, todos os homens, mesmo estranhos à Fé Cristã, de sorte que o Império de Cristo Jesus é, em estrita verdade, a universalidade do gênero humano.

JESUS CRISTO NÃO DISSE QUE SEU REINO NÃO ERA DESTE MUNDO?
Cristo afirmou diante de Pilatos que Seu Reino não era deste mundo (Jo 18, 36). Isso significa que Sua Realeza não é originária deste mundo, e que ela é de uma natureza bem superior às realezas da Terra. Mas ela se exerce, no entanto, sobre a Terra. O Reino de Jesus Cristo não é deste mundo, mas este está sim dentro deste mundo.

Essa interpretação é certa?
Essas palavras são tão claras que mal precisam de interpretação. Do mesmo modo que Nosso Senhor declarou que Ele não era do mundo, mas que havia sido enviado a este mundo pelo Pai, afirma, diante de Pilatos, que Sua Realeza não era deste mundo mas que, Rei, ele veio ao mundo para dar testemunho da Verdade.

Os que dizem os Padres da Igreja sobre isso?
Os Padres da Igreja sublinham que Nosso Senhor não disse; "Meu Reino não é aqui", mas sim: "Meu Reino não é daqui". Sua Realeza é exercida, certamente, neste mundo.

Por que Jesus Cristo afirma que Seu Reino não é deste mundo?
Jesus Cristo recusou-se a ser proclamado rei (Jo 6, 15) para dissociar o Seu Reino das falaciosas esperanças messiânicas dos judeus (libertação do jugo romano e dominação mundial). Dirigindo-Se a um governador romano, indica que Sua Realeza, essencialmente sobrenatural, não ameaça o Imperador; não concorre com as realezas terrestres, cujos limites, cuja fragilidade e cujas mesquinhas ambições não tem. O Reino de Cristo engloba todos os reinos do mundo, como diz a segunda antífona das vésperas da Festa de Cristo-Rei: "Seu Reino é um Reino eterno, e todos os reis da Terra o servirão e obedecer-lhe-ão".

A realeza de Cristo não é essencialmente espiritual?
Pio XI ensina, com efeito, em Quas primas, que o Reino de Cristo é "principalmente espiritual e concerne, antes de tudo, à ordem espiritual".

Se é essencialmente espiritual, a Realeza de Cristo estende-se aos assuntos temporais?
Na mesma encíclica, Pio XI continua: "Seria um erro grosseiro recusar a Cristo-homem a soberania sobre as coisas temporais, quaisquer que sejam: obtém do Pai, sobre as criaturas, um direito absoluto, permitindo-lhe dispor todas conforme seu desígnio".

Mesmo se Ele tem esse poder, Nosso Senhor não manifestou que se desinteressava do poder temporal e que apenas queria reinar sobre as almas?
Nosso Senhor quer, primeiramente, salvar as almas, reinar nelas por Sua Graça. Para orientar os homens para o Céu, ele, durante Sua vida terrestre, recusou-se a exercer qualquer governo temporal. Distinguiu, cuidadosamente, a sociedade religiosa que fundava (a Santa Igreja) da sociedade temporal. Deixou aos reis da Terra seu poder. Mas a Realeza de Cristo, nelas, não existe menos, e as autoridades temporais têm o dever de a reconhecer publicamente, desde que dela tenham conhecimento.

Por que os governantes devem reconhecer a Realeza de Cristo?
Para os chefes de Estado, o reconhecimento público da Realeza de Cristo é, primeiro, um dever de justiça em relação a Nosso Senhor (sua Realeza está no princípio da autoridade deles). É também um dever em relação a seus súditos, a quem assim ajudam poderosamente a salvar-se, e sobre os quais atraem a benção toda particular do salvador. É, enfim, um dever em relação à Igreja, que deve ser apoiada em sua missão.

Por que insistir tanto sobre a Realeza Social de Nosso Senhor Jesus Cristo? Não basta ocupar-se do essencial: Seu Reino nas almas?
O homem não é puro espírito. Pio XII ensina: "Da forma dada à sociedade, em harmonia ou não com as leis divinas, dependem e se infiltram o bem e o mal nas almas".


Extraído do Catecismo Católico da Crise na Igreja

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Tríduo em Louvor de Santo Agostinho

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
V) – Ó Deus, vinde em nosso auxílio
R) – Apressai-Vos Senhor em nos socorrer,
V) – Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
R) – Assim como era no princípio, agora e sempre por todos os séculos dos séculos. Amém.

Veni Creator...

Ato de Contrição

          Peregrino e enfermo volto a Vós, Ó meu Deus, cansado de divagar fora de Vós e oprimido pelo grave peso dos meus males! Sei e conheço que fora de Vós não há abrigo, nem fartura, nem descanso, nem bem algum, que sacie os desejos da alma que criastes.
          Abri-me as desejadas portas da vossa casa; perdoai-me, recebei-me, curai-me de todas as enfermidades; ungi-me com óleo de Vossa graça e dai-me os ósculos de paz que prometestes ao pecador contrito e humilhado.
          A quem, senão a Vós, clamarei do profundo abismo de meus males, Ó meu Deus e misericórdia minha!
          Como o servo ferido deseja a corrente das águas, assim minha alma corre para Vós, sequiosa do Vosso amor, e desejosa de Vossa face amabilíssima.
          Ó verdade! Ó beleza infinitamente amável de meu Deus! Quão desperdiçado foi o tempo em que não Vos amei, nem Vos conheci!
        Meus crimes têm-se envelhecido, minhas culpas têm-me afetado, minhas iniquidades, como ondas do mar, mergulharam-me no fundo da miséria.
          Quem me dera, meu Deus, um amor infinito para me arrepender do tempo em         que Vos não amei, como devia! Mas, finalmente, Vos amo e Vos conheço.
          Bem supremo e verdade suma; e, com a luz que Vós me destes, conheço-me e aborreço-me, pois tenho sido o princípio e causa de todos os meus males.
          Conheça-me Vos de modo que Vos ame e Vos não perca. Conheça-me a mim mesmo e nunca me procure em coisa alguma.
          Ame-Vos eu, meu Deus, e suma riqueza de minha alma, de modo que mereça possuir-Vos, e aborreça-me de modo que me veja livre da grande miséria de mim mesmo!
          Quero morrer em vida para não morrer eternamente; e viver só para Vós, meu Deus, de modo que sejais minha verdadeira vida, e minha saúde perfeita para sempre. Amém.

PRIMEIRO DIA

          Glorioso Santo Pai Agostinho, que, na hora ditosa de vossa conversão para Deus, fostes iluminados de tal modo pela luz da verdade divinamente revelada, que em vossa inteligência não deixou lugar algum para as trevas, que a obscureciam, nem em vosso coração saudade alguma das coisas da terra; e desde daquele momento fostes feito doutor e mestre duma ciência divina, que antes não compreendias, e chama resplendente duma caridade tão nova, que antes não conhecíeis, e que Vos fez perder o gosto das coisas, que antes prendiam tanto o vosso coração; alcançai-nos de Deus a graça de convertei-nos a Ele, de tal modo que jamais nos domine a cegueira e corrupção do homem velho, e da graça do novo Adão,  Jesus Cristo, N. Senhor, o qual seja nossa vida e nosso amor pelos séculos dos séculos. Amém.

(Peça cada um a graça que deseja alcançar).

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória. 

ORAÇÃO FINAL PARA TODOS OS DIAS

          Gloriosíssimo Santo Agostinho, doutor sapientíssimo da graça, guarda fidelíssimo da fé, patriarca felicíssimo da grande família Agostiniana e tantas outras famílias religiosas, que abraçaram a vossa apostólica regra, como amplíssimo caminho de perfeição e santidade: lembrai-Vos, na abundância de vossa glória, e nas eternas alegrias da pátria celeste, dos que ainda gemem na tribulação e no desterro. Não Vos esqueçais de nós pobres pecadores, que Vos chamamos e buscamos como a um Pai e a um amigo, como a um mediador ante o Deus das misericórdias.
          Volvei a tratar da santidade com o ímpio, da justiça com o injusto, da ordem e da paz com os que governam, do gozo e da posse do supremo bem com todos os filhos do trabalho. Voltem a florescer as solidões do claustro com a santidade de vossos monges. Volte, como em dias de triunfo, a respirar com alegria a Igreja militante, debaixo da sombra do vosso báculo.
          Salvai o vosso povo; cobri-o com o manto de vossa caridade e vosso zelo; guardai-nos a todos os que pertencemos ao rebanho de Jesus Cristo; conduzi-nos pelo caminho da sua lei, e transportai-nos a felicidade do céu, onde, juntamente convosco, vejamos o mesmo Senhor na inefável companhia do Pai e do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

SEGUNDO DIA

          Ó Glorioso Santo Agostinho, Doutor dos doutores da Igreja, Pai e  Patriarca duma grande família de monges e de virgens: alcançai-nos de Deus, três vezes Santo,  o amor à santidade, a graça de ser, como Vós fostes sábios na doutrina, magnânimos na fortaleza, imaculados nos costumes, amantes  da oração e do retiro, pacíficos com os nossos irmãos, resplandecentes com a luz do bom exemplo e em todas as virtudes ricos e perfeitos, conforme a nossa vocação e estado, de modo que mereçamos, depois da morte, estar onde Vós estais, e reinar convosco entre os santos pelos séculos dos séculos. Amém.

(Peça cada um a graça que deseja alcançar).

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

TERCEIRO DIA

          Gloriosíssimo Santo Agostinho, zelosíssimo defensor da honra divina, que inflamado na chama de um zelo abrasador, tirastes da terra as abominações da impiedade, e velastes pela glória do Senhor, pelo decoro do templo e pela  santidade dos sacerdotes; alcançai-nos de   Deus que se digne acender em nossos corações aquele zelo que purifica e não destrói, que corrige e não afronta, que repara e edifica, mas que nunca, se desvanece com o triunfo, porque toda a glória só a Deus é dada: a Ele, toda a honra pelos séculos dos séculos. Amém.

(Peça cada um a graça que deseja alcançar).

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.


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domingo, 23 de agosto de 2015

O verdadeiro humilde será exaltado - Acontecimentos na vida de São Francisco

Por São Boaventura

Preferindo a pobreza para si e seus irmãos acima de qualquer honra deste mundo, Deus que ama os humildes julgou-o digno de maior honra. Esse fato foi revelado a um dos irmãos, homem virtuoso e santo, numa visão que teve do céu.

Estava viajando com Francisco, quando entraram numa igreja abandonada, onde oraram com todo fervor. Este irmão teve então uma visão em que via uma multidão de tronos no céu, um dos quais era radiante de glória e adornado de pedras preciosas e era o mais elevado de todos. Estava maravilhado com tanto esplendor e se perguntava a quem ele caberia. Ouviu então uma voz que lhe dizia: “Esse trono pertenceu a um dos anjos caídos.
Agora está reservado ao humilde Francisco”.

Ao voltar a si do êxtase, o irmão seguiu o santo que estava saindo da igreja. Retomaram o caminho e continuaram conversando sobre Deus. O irmão recordou-se então da visão e discretamente perguntou a Francisco o que achava de si mesmo. Respondeu o humilde servo de Cristo: “Reconheço que sou o maior pecador do mundo”. Replicou-lhe o irmão que ele não podia fazer semelhante afirmação em consciência tranquila, nem mesmo pensar assim. Francisco continuou: “Se Cristo houvesse tratado ao maior celerado
dos homens com a mesma misericórdia e bondade com que me tem tratado, tenho certeza que ele seria muito mais reconhecido a Deus do que eu”. Ao ouvir palavras de tanta humildade, o irmão teve a confirmação de que a sua visão era verdadeira, sabendo perfeitamente que, segundo o santo Evangelho, o verdadeiro humilde será exaltado ao trono de glória de que o soberbo é excluído.
Extraído da obra "Legenda Maior"

sábado, 22 de agosto de 2015

O que é o milagre


por Padre Júlio Maria, S.D.N. 

O milagre é um fato que ultrapassa as forças da natureza criada, e somente pode ser produzido por intervenção de Deus. Mudar água em vinho, purifica um leproso com a palavra, curar um moribundo à distância, por um ato de vontade, acalmar uma tempestade, são uns tantos atos que ultrapassam as forças da nossa natureza e que não podemos atribuir senão a Deus.

Não é necessário que o milagre seja operado imediatamente por Deus; Ele pode delegar este poder às criaturas, como um rico pode mandar qualquer amigo fazer esmolas de seu dinheiro. Neste caso, é sempre o rico que dá; a pessoa intermediária serve-lhe de instrumento, ou de canal de transmissão.

Só Deus pode fazer milagres; os santos podem ser intermediários deste milagre, porém, por si mesmos, são impotentes para realizá-lo. Vê-se logo que o milagre é, pois, como que o carimbo de Deus, a aprovação divina de um fato ou de uma doutrina.É a  razão por que só na Igreja Católica existem milagres; só ela é a obra divina; só ela possui a doutrina divina; só ela possui santos, dos quais Deus se serve para operar milagres.

A possibilidade do milagre

O milagre é possível pois, para não ser possível, devia haver qualquer impedimento, seja da parte de Deus, seja da parte dos homens. Da parte de Deus não há impedimentos, pois sendo Deus o autor de tudo o que existe e de todas as leis que governam a matéria, pode, naturalmente, ou derrogar ou não aplicar estas leis.

Examinando este fato, com sinceridade, nada de mais claro pode haver. É possível os médicos fazerem uma cura? Fazem-na diariamente... Curam, vez ou outra, tuberculosos, leprosos, cardíacos, etc...

Os médicos têm uma ciência e um poder muito limitados. Se eles podem fazer tais curas, por que Deus não as poderia fazer? O médico preciso de tempo e de remédios. Ora, tempo e remédios são criados por Deus. É Ele quem deu virtude curativa a tal ou tal planta. O que o médico faz com o tempo e remédios, Deus pode fazê-lo sem tempo e sem remédios.
Eis o milagre. Deus faz num instante o que os homens fazem com tempo e com remédios. Cura repentinamente, e tal cura é um milagre. Dirão talvez: Deus é imutável? Perfeitamente, mas o milagre nada muda em Deus; muda apenas o curso de uma lei estabelecida por Ele, e esta mudança fazia parte desta lei geral.

O milagre pode perturbar o mundo – dirão também. Ele nada perturba, como uma exceção a uma regra de gramática não perturba a lei fundamental. A exceção confirma a regra. O milagre confirma a lei, à qual derroga acidentalmente.

Quando é feito em abono de uma doutrina, prova que tal doutrina é verdadeira, pois o milagre é a intervenção de Deus... é Deus quem age. E Deus só pode aprovar e confirmar a verdade. Ele é a verdade.

Eis porque nenhuma seita religiosa – nenhuma – pode indicar um milagre em abono de sua doutrina.
Excertos da obra “Comentário Dogmático” extraído do Almanaque Tradição Católica nº06



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Necessidade se entender as orações e as cerimônias da Santa Missa

Extraído do Catecismo da Santa Missa

É necessário conhecer profundamente a Missa?
Um ato de religião praticado com tanta frequência, tão precioso em suas graças, e tão consolador em seus frutos, é desejoso que se conheça o mais possível, na medida das nossas capacidades.
Como podemos conhecer mais profundamente a Santa Missa?
Podemos conhecê-la mais profundamente estudando seus mistérios, seus dogmas, a moral que ela encerra, e até os menores detalhes de suas cerimônias e orações.
Para que devemos conhecer tudo isto?
Para que a Missa, que é o centro do culto católico, desperte os mais vivos sentimentos de religião e de piedade.
Que mais devemos conhecer da Missa?
Devemos conhecer suas palavras sagradas em que encontramos todo o sabor da unção de que estão repletas; cada ação e cada movimento do sacerdote; cada palavra que ele pronuncia para lembrar nossa alma e nosso coração que um Deus se imola para nós, e que nós também devemos nos imolar com Ele e por Ele.
Com que estado de espírito devemos assistir a Santa Missa?
Devemos deixar fora do santuário a indiferença e o tédio, a dissipação e o escândalo, e sermos, no templo, adoradores em espírito e verdade.
Deus exige de todos os fiéis uma instrução profunda e detalhada da Missa?
Não. Deus supre a sensibilidade da fé ao conhecimento que não foi possível adquirir e jamais irá desprezar o sacrifício de um coração arrependido e humilhado. (Sl 50, 19)
Quais as disposições essenciais e suficientes para aproveitarmos do santo sacrifício da Missa?
Devemos assistir a Santa Missa com a alma penetrada de dor pelas faltas cometidas, e nos aproximarmos confiadamente deste trono da graça, unindo-nos à vítima, Nosso Senhor Jesus Cristo, e à intenção da Igreja, na pessoa do sacerdote, e por seu ministério.
Que mais é salutar conhecer?
Devemos saber as grandes vantagens espirituais que um conhecimento mais íntimo da Santa Missa proporciona aos fiéis, com a explicação literal de suas orações e cerimônias.
A Igreja, acaso, ocultaria aos fiéis algum mistério da Santa Missa?
Não. Na Igreja nada há de oculto e ela jamais pretendeu ocultar qualquer mistério aos fiéis, seja da Santa Missa, como de qualquer outra cerimônia litúrgica, como será demonstrado neste Catecismo.
Qual a principal preocupação da Igreja quanto aos mistérios da Missa?
A Igreja somente teme que o pouco discernimento sobre os mistérios possa causar má interpretação às palavras neles contidas.
Como a Igreja procura evitar possíveis más interpretações?
Apresentando sempre explicações claras dos mistérios aos fiéis.
Há orientação explícita da Igreja para explicar os mistérios da Missa aos fiéis?
Sim. Os Concílios de Mogúncia, de Colônia e de Trento, como mais adiante veremos, ordenaram claramente que se prestassem aos fiéis as explicações necessárias para o melhor entendimento possível dos mistérios da Santa Missa, evitando, assim, más interpretações.
Que outras medidas tomou a Igreja para facilitar o entendimento dos mistérios da Missa?
A Igreja colocou à disposição de todos os fiéis o ordinário da Missa, e impôs como dever dos sacerdotes a explicação das orações e das cerimônias da Santa Missa.
Além do ordinário da Missa, há outras obras específicas sobre o Santo Sacrifício?
Sim; há inúmeras obras ao alcance dos fiéis sobre a Santa Missa, publicadas através dos séculos.
A explicação da Missa é dever somente dos sacerdotes?
Não. Além dos sacerdotes é dever também dos fiéis, e seremos felizes mesmo se, com pouco conhecimento, colocarmos algumas pedras nos muros de Jerusalém, enquanto outros manejam com mão hábil a espada da palavra santa para cuidar da sua defesa.
Qual o melhor método para nos aprofundarmos no conhecimento da Santa Missa?
Para compreendermos exatamente o verdadeiro sentido das orações da Santa Missa, é necessário conhecermos todas, palavra por palavra, o significado de cada termo, dos dogmas e dos mistérios nelas contidos.
Que mais é necessário conhecer sobre as orações?
É preciso, também, conhecer os objetivos da Igreja ao estabelecer as orações, bem como deduzir ao máximo possível as intenções dos santos padres, dos antigos escritos eclesiásticos e da tradição. Para isto torna-se necessária também uma explicação histórica, literal e dogmática de tudo o que constitui a Missa.


Fonte: Almanaque Tradição Católica

Oração dos Pais pelos Filhos



Glorioso São José, esposo de Maria, concedei-nos Vossa proteção paterna, nós Vos suplicamos pelo coração de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vós, cujo poder se estende a todas as necessidades, sabendo tornar possíveis as coisas impossíveis, volvei Vossos olhos de pai sobre os interesses de Vossos filhos.

Na dificuldade e tristeza que nos afligem, recorremos a Vós, com toda a confiança.

Dignai-Vos tomar sob o Vosso poderoso amparo este assunto importante e difícil, causa de nossas preocupações.

Fazei que o seu êxito, sirva para a glória de Deus e bem de seus dedicados servos. Amém.

São José, Pai e protetor, pelo amor tão puro que tivestes ao Menino Jesus, preservai meus filhos - os amigos de meus filhos e os filhos dos meus amigos - das corrupções das drogas, do sexo e de outros vícios e de outros males.

São Luís de Gonzaga, socorrei os nossos filhos.

Santa Maria Goretti, socorrei os nossos filhos.

São Tarcísio, socorrei os nossos filhos.

Santos Anjos, defendei meus filhos - e os amigos de meus filhos e os filhos de meus amigos, dos assaltos do demônio que quer perder suas almas.

Jesus, Maria, José, ajudai-nos a nós pais de família.

Jesus, Maria, José, salvai nossas famílias.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Quem são os pobres em espírito?

por Santo Agostinho

Acerca do desejo dos bens temporais lê-se na Escritura: tudo é vaidade e presunção de espírito (Ecle 1, 14). Pois bem, a presunção de espírito envolve audácia e soberba; e dos soberbos se diz, vulgarmente, que são espíritos fortes; e com razão, uma vez que o espírito é também chamado vento. Por isso está escrito: o fogo, o granizo, a neve, a geada, o vento tempestuoso (Sl 148, 8).

E quem ignora que aos soberbos se chama inflados, como se estivessem inchados de vento? Donde também o dizer do Apóstolo: A ciência incha, mas a caridade edifica (ICor 8, 1). Com razão se entendem aqui por pobres em espírito os humildes e tementes a Deus, ou seja, os que não têm espírito inchado.

Nem podia ter melhor começo a bem-aventurança, dado que há de chegar à suprema sabedoria: O princípio da sabedoria é o temor do Senhor (Eclo 1, 16), assim como pelo
contrário, o princípio de todo pecado é a soberba (Eclo 10, 15). Amem e desejem os soberbos os reinos da terra; mas sejam bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.

retirado da obra “Sobre o sermão da montanha”

Disponibilizamos o download do Almanaque Tradição Católica nº 31





quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Receber para transmitir


(Entrevista de DICI com o Pe. Bouchacourt)

DICI: O senhor escolheu o Islã como tema desta décima universidade de verão. Por quê?
Pe. Bouchacourt: Trata-se de saber se, para os Católicos, o Islã, que se desenvolve sempre mais na França, é uma evolução da sociedade, como outra, que nos basta apenas observar como espectador, ou se o desenvolvimento constante constitui para nós um desafio à frente. Em suma, nós carregamos sobre o Islã um olhar simplesmente sociológico? Ou nós olhamos os mulçumanos como Jesus Cristo olhou todas as almas pelas quais Ele deu Sua vida sobre a Cruz? Nossa universidade de verão é apologética: ela pretende trazer sobre o Islã uma resposta não passional ou superficial, mas bem racional e espiritual.

DICI: Durante o sermão de encerramento da peregrinação de Pentecostes, o senhor exortou os jovens a não ficarem “de braços cruzados diante do tormento atual” o senhor desejaria de preferência que eles levantassem as mangas e se empenhassem?
Pe. Bouchacourt: Claro! Pois eles devem saber que não é um discurso diluído no ecumenismo conciliar ou no laicismo do “politicamente correto”, que é próprio a tocar as inteligências e os corações. A retórica oficial é ressoante, mas ela soa no vazio: conversa fiada, entre uns, meias palavras, entre outros...O que nossos contemporâneos esperam não são ainda e ainda boas palavras, mas atos concretos que correspondem a estas palavras. É preciso pensar direito e agir em conformidade, melhor; em coerência com o que se pensa. Os jovens de hoje têm uma grande responsabilidade frente-à-frente àqueles que nada ou muito pouco receberam da religião; eles não devem se esquivar.

DICI: Como o senhor vai preparar os participantes da universidade de verão a este compromisso concreto?
Pe. Bouchacourt: Ao tema do Islã, como para todos os temas tratados pelas precedentes universidades de verão, nós não queremos um debate puramente intelectual que não levaria a nada. É por isso que nós organizamos oficinas praticas onde aprendemos a responder as objeções que são feitas hoje; em outras palavras, a aplicar individualmente os princípios gerais dados no momento das conferências. Certamente, as jornadas de estudo são ocasiões de encontros amigáveis, muito alegres, mas não se vêm à universidade de verão por simples curiosidade, diletante. A especificidade desta universidade de verão, desde seu lançamento, há 10 anos, detém nesta palavra de ordem: receber para transmitir. O que significa que a cada retorno apliquem-se a serem apóstolos em seu meio, junto de seus pais, de seus amigos, de seus companheiros ou de seus colegas.

DICI: Uma última palavra?

Pe Bouchacourt: A tradição na qual estamos legitimamente ligados, não pode ser percebida como uma causa vergonhosa, apoiada por católicos frios. Esta deve ser uma causa ardente, defendida com uma alegria comunicativa!

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terça-feira, 18 de agosto de 2015

A aflição da Igreja seria cem vezes mais desoladora

Abade Alain Lorans (http://www.dici.org)

No dia 3 de maio de 2015, foi aberto oficialmente no Brasil o processo diocesano em vista da beatificação de Dom Helder Câmara, o zeloso propagador da Teologia da Libertação, apelidado em sua vida de “O Bispo Vermelho.” Com esta triste notícia, é bom reler o que o Reverendíssimo Padre Calmel o.p. escreveu, em 1970, em sua Breve Apologia à Igreja de sempre: “A aflição da Igreja seria cem vezes mais desoladora, cem vezes mais cruel, é o Senhor que é para sempre seu Mestre e Rei. É a Ele que todo poder foi dado, é diante d’Ele que se dobra todo o joelho no céu, na terra e nos infernos, inclusive nesse tipo de inferno indolor para o momento, que é a seita modernista. Ela não pode estender sua nocividade além das estreitas fronteiras que o Senhor lhe destinou, e o Senhor não lhe concedeu um certo poder de obscurecer, de falsear e de escandalizar de mil maneiras, para o bem dos eleitos e para aumentar o esplendor da Graça de sua Igreja. Portanto, não tenhamos medo, mas a perseverança com confiança na Igreja de sempre.” 

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