terça-feira, 25 de agosto de 2015

JESUS CRISTO: Rei da Igreja, Rei de todos os homens, Rei de todos os Estados


por Pe. Mathias Gaudron

JESUS CRISTO É REI DA SOCIEDADE TEMPORAL?
Jesus Cristo não é apenas Rei da Igreja ou dos fiéis, mas também de todos os homens e de todos os Estados. Ele mesmo o disse antes de Sua Ascensão: "Todo poder Me foi dado no Céu e sobre a Terra" (MT 28, 18). Ele é Rei do mundo inteiro, nada pode se subtrair ao Seu poder.

Quais são os fundamentos da Realeza de Cristo?
O Papa Pio XI ensina na Encíclica Quas primas que Cristo tem um duplo direito à Realeza: Ele é Rei por natureza, em razão de um direito inato (Ele é o homem-Deus); Ele é Rei por conquista, por um direito adquirido (tendo resgatado o mundo, adquiriu, para si, todos os homens no Seu Sangue).

Essa Realeza de Cristo não se restringe apenas aos batizados?
Pio XI cita a esse propósito seu predecessor, Leão XIII: "Seu Império não se restringe apenas, exclusivamente, às nações católicas, nem somente aos cristãos batizados (...): abrange, igualmente, sem exceção, todos os homens, mesmo estranhos à Fé Cristã, de sorte que o Império de Cristo Jesus é, em estrita verdade, a universalidade do gênero humano.

JESUS CRISTO NÃO DISSE QUE SEU REINO NÃO ERA DESTE MUNDO?
Cristo afirmou diante de Pilatos que Seu Reino não era deste mundo (Jo 18, 36). Isso significa que Sua Realeza não é originária deste mundo, e que ela é de uma natureza bem superior às realezas da Terra. Mas ela se exerce, no entanto, sobre a Terra. O Reino de Jesus Cristo não é deste mundo, mas este está sim dentro deste mundo.

Essa interpretação é certa?
Essas palavras são tão claras que mal precisam de interpretação. Do mesmo modo que Nosso Senhor declarou que Ele não era do mundo, mas que havia sido enviado a este mundo pelo Pai, afirma, diante de Pilatos, que Sua Realeza não era deste mundo mas que, Rei, ele veio ao mundo para dar testemunho da Verdade.

Os que dizem os Padres da Igreja sobre isso?
Os Padres da Igreja sublinham que Nosso Senhor não disse; "Meu Reino não é aqui", mas sim: "Meu Reino não é daqui". Sua Realeza é exercida, certamente, neste mundo.

Por que Jesus Cristo afirma que Seu Reino não é deste mundo?
Jesus Cristo recusou-se a ser proclamado rei (Jo 6, 15) para dissociar o Seu Reino das falaciosas esperanças messiânicas dos judeus (libertação do jugo romano e dominação mundial). Dirigindo-Se a um governador romano, indica que Sua Realeza, essencialmente sobrenatural, não ameaça o Imperador; não concorre com as realezas terrestres, cujos limites, cuja fragilidade e cujas mesquinhas ambições não tem. O Reino de Cristo engloba todos os reinos do mundo, como diz a segunda antífona das vésperas da Festa de Cristo-Rei: "Seu Reino é um Reino eterno, e todos os reis da Terra o servirão e obedecer-lhe-ão".

A realeza de Cristo não é essencialmente espiritual?
Pio XI ensina, com efeito, em Quas primas, que o Reino de Cristo é "principalmente espiritual e concerne, antes de tudo, à ordem espiritual".

Se é essencialmente espiritual, a Realeza de Cristo estende-se aos assuntos temporais?
Na mesma encíclica, Pio XI continua: "Seria um erro grosseiro recusar a Cristo-homem a soberania sobre as coisas temporais, quaisquer que sejam: obtém do Pai, sobre as criaturas, um direito absoluto, permitindo-lhe dispor todas conforme seu desígnio".

Mesmo se Ele tem esse poder, Nosso Senhor não manifestou que se desinteressava do poder temporal e que apenas queria reinar sobre as almas?
Nosso Senhor quer, primeiramente, salvar as almas, reinar nelas por Sua Graça. Para orientar os homens para o Céu, ele, durante Sua vida terrestre, recusou-se a exercer qualquer governo temporal. Distinguiu, cuidadosamente, a sociedade religiosa que fundava (a Santa Igreja) da sociedade temporal. Deixou aos reis da Terra seu poder. Mas a Realeza de Cristo, nelas, não existe menos, e as autoridades temporais têm o dever de a reconhecer publicamente, desde que dela tenham conhecimento.

Por que os governantes devem reconhecer a Realeza de Cristo?
Para os chefes de Estado, o reconhecimento público da Realeza de Cristo é, primeiro, um dever de justiça em relação a Nosso Senhor (sua Realeza está no princípio da autoridade deles). É também um dever em relação a seus súditos, a quem assim ajudam poderosamente a salvar-se, e sobre os quais atraem a benção toda particular do salvador. É, enfim, um dever em relação à Igreja, que deve ser apoiada em sua missão.

Por que insistir tanto sobre a Realeza Social de Nosso Senhor Jesus Cristo? Não basta ocupar-se do essencial: Seu Reino nas almas?
O homem não é puro espírito. Pio XII ensina: "Da forma dada à sociedade, em harmonia ou não com as leis divinas, dependem e se infiltram o bem e o mal nas almas".


Extraído do Catecismo Católico da Crise na Igreja

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