terça-feira, 15 de setembro de 2015

O nascimento de Maria Santíssima

Pelo Padre Manoel José Gonçalves Couto,
no livro “Missão Abreviada”.

O nascimento de Maria Santíssima é todo cheio de glória para ela, e todo cheio de vantagem para nós. Para ela foi o princípio de sua grandeza, e para nós foi a origem de nossa felicidade. Se contemplamos o nosso nascimento e o de Maria, que total diferença? No nosso tudo motivos de tristeza, lágrimas e temor, e no de Maria tudo motivos de prazer, consolação e esperanças.

Como entramos nós todos neste mundo? Como principiamos os nossos dias? Amaldiçoados pelo pecado original, nós aparecemos neste mundo escravos do demônio, marcados com o selo de sua maldade, aborrecidos aos olhos do nosso Criador, excluídos de ver a Deus e de o gozarmos jamais, enfim, inteiramente desgraçados.

Tudo isto são motivos de tristeza, lágrimas e temor.

Mas já não acontece assim com o nascimento de Maria Santíssima, nem pode temer-se coisa alguma semelhante. Conhecida por Deus desde a eternidade como a mais fiel às suas graças e mais obediente à sua lei, ele a encheu de bênçãos logo desde o princípio e a fez feliz e bem-aventurada logo no seu nascimento. O dragão infernal nunca teve império sobre ela.

Nunca foi infeccionada de culpa, porque o Criador a privilegiou logo na sua origem, e a enriqueceu de graças ainda mesmo antes dela nascer. Tantas foram estas graças, que excedem as de todos os Santos e Anjos, diz São Vicente.

Santificada por Deus dentro ainda do ventre de sua mãe Santa Ana, ela recebeu graça, não gota a gota, mas sim em grande enchente. Quando Deus escolhe alguém para algum empreendimento raro, Ele lhe concede as graças proporcionadas, assim o diz São Vicente.

Logo que grande multidão de graças não derramaria Deus sobre Maria, logo desde seu nascimento, se o mesmo Deus a escolhera para o mais alto empreendimento, isto é, para Mãe do Divino Salvador?! Ah! É por isso que o Arcanjo Gabriel a saudou, dizendo: - Deus vos salve, cheia de graça. Sim, Maria é cheia de graça, é um brilhante raio da luz eterna e um espelho sem mancha da divina Majestade.

Nasce Maria, nasce uma flor toda bela e engraçada. Sempre cheirosa e imarcescível, que desde a sua origem brilha mais do que a rosa entre os espinhos. Nasce Maria, e nasce a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e honra do seu povo. Nasce Maria, e nasce a brilhante aurora que dissipa as trevas da medonha noite da culpa. Nasce a luminosa estrela da manhã, que com os seus luminosos raios das melhores virtudes há de mostrar o caminho da salvação: nasce Maria finalmente, nasce uma menina cheia de bênçãos e luzes do Céu, com o seu Criador a enriqueceu por um raro privilégio.

Dizem muitos Santos Padres, que Maria logo na sua conceição recebeu de Deus um perfeito uso de razão, uma grande luz divina correspondente à graça de que foi enriquecida. De sorte que podemos acreditar que Maria, logo desde sua conceição, conhecia as verdades eternas, a beleza das virtudes, a bondade infinita de Deus, o direito que Deus tem de ser amado, principalmente por ela, por causa das imensas graças que já lhe tinha concedido. Já eram imensas as graças que Maria recebera na sua conceição, e como desde então ela nunca esteve ociosa, como faria frutificar este tão grande capital de graças?! Ah, Maria é um mar de graças sobrenaturais!

Desde a sua conceição toda aplicada em amar a Deus, ela o amava sempre e com todas as forças do seu espírito, crescia sempre no amor divino e nas mais sublimes virtudes. Finalmente crescia mais na virtude e na perfeição, do que no corpo e na idade!...
Maria, quantas mais graças recebia, tanto mais se adiantava em perfeição e santidade, de sorte que se no primeiro momento ela recebeu mil graus de graça, no segundo recebeu dois mil, no terceiro três mil, no quarto quatro mil, e assim em graças bem como em virtudes! Ó Virgem Santíssima, com toda a razão podeis dizer: Eu sendo pequenina já comecei a agradar ao Altíssimo... Imitai, meninos, imitai Maria Santíssima nos seus primeiros anos.

Ela logo desde pequenina ia aumentando sempre nas virtudes, e vós? Vós sempre aumentando nos vícios, por meio de modas indecentes, por via de pragas e más palavras, por desobediência aos vossos pais e mães ou mestres, já irados, já teimosos, cheios de preguiça, finalmente por estes e outros pecados já tereis perdido a inocência, já sereis amigos e aliados do demônio, deserdados do Céu, e herdeiros do inferno.

Ó, quão cedo começastes a dar passos para o inferno! Que bem depressa perdestes a inocência! Vós deveis imitar a vossa Mãe Santíssima nos seus primeiros anos, no amor de Deus, na obediência, na humildade, no silêncio, na diligência, na pureza, e nas demais virtudes. Mas já vedes que não a tendes imitado: logo que há de ser de vós? Que deveis agora fazer, e nós todos? Arrepender-nos do passado e emendar-nos para o futuro, imitando-a daqui por diante, amando sempre a Deus, praticando sempre a virtude, e fugindo do vício: sobretudo consagremo-nos a ela, tomemo-la por nossa Mãe, sem nunca deixarmos de lhe rezar a sua coroazinha todos os dias.

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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Da negação ao desafio


Neste ano houve 68 ordenações de padres diocesanos por toda a França, além de 52 ordenações de religiosos, um total de 120 novos padres. E, conforme as projeções, haverá mais de 6.000 padres na França em 5 anos, contra 15.000 hoje, pois  10.000 entre eles  têm  mais de 65 anos, e 7.000 têm mais de 75 anos.

Como então os 6.000 padres poderão servir as paróquias?  O reitor da grande mesquita de Paris tem ideias sobre uma nova atribuição dos lugares de culto na França e Mons. Michel Dubost, Bispo de Évry, que “prefere que as Igrejas se tornem mesquitas ao invés de restaurantes” passará as chaves. (Le Figaro, 15/06/15).

Diante do declínio inexorável de ordenações, comissões de especialistas propuseram explicações sociológicas. Colóquios entre  especialistas sugeriram interpretações psicológicas, quando a conclusão é cada dia mais demograficamente evidente: os novos padres não são suficientes para substituir os sacerdotes falecidos.

De face para essa queda vertiginosa, um Bispo pediu, há alguns anos,  que fosse deixado “fazer a experiência da Tradição.” Mas em  nome de uma prioridade ideológica, rejeitaram seu pedido:  O concílio não é negociável, a reforma pós-conciliar é irreversível,  as figuras que o acusam devem ser “lefebvristas” e convém tratá-los como tais, com desdém... Esta é a negação da realidade.

Ora, os fatos estão sempre aqui, a experiência da tradição pode então ser feita. Mas para isto devemos recusar energicamente que nosso destino está em declínio. E devemos querer nos servir dos tesouros que oferece a Tradição Bimilenar... Este é o desafio!

(Fonte: http://www.dici.org/actualites/du-deni-au-defi/)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Por que devemos amar o nosso próximo?


Por que devemos amar o nosso próximo? Porque é amado por Deus. Com toda a razão o apóstolo S. João chama de mentiroso quem diz que ama a Deus, e entretanto odeia a seu próximo. Jesus Cristo disse que há de olhar como feito a si mesmo o bem que fizermos ao mínimo de seus irmãos; "Em verdade, vos digo, o que fizestes um de meus irmãos mais pequenos, a mim o fizestes" (Mt 25, 40). Do que conclui S. Catarina de Gênova que, para se conhecer quanto alguém ama a Deus, basta examinar-se quanto ama ao próximo.

A caridade cristã é um dos frutos mais preciosos da redenção. O profeta Isaías a predisse com as palavras: "Então habitará o lobo com o cordeiro e o leopardo se alojará junto ao carneiro... e não prejudicará um ao outro, nem o matará"(Is 11, 6).Com isso queria dizer que os futuros discípulos de Jesus Cristo, ainda que tendo inclinações e caracteres diversos e pertencendo a várias nacionalidades, haveriam de viver em toda a paz um com o outro, já que cada um cuidaria de se amoldar, pela caridade, à vontade e inclinação do outro. E na realidade, assim viviam os primeiros cristãos. "A multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma" (At 4, 32). Isso foi o resultado da oração do divino Salvador dirigida a seu Eterno Pai antes de sua morte: "Pai santo, conservai em vosso nome aqueles que me destes, para que sejam um,como nós o somos" (Jo 17, 11).

É impossível amar a Deus sem amar ao mesmo tempo ao próximo. O mesmo mandamento que nos obriga ao amor de Deus nos impõe o amor do próximo."Temos este mandamento de Deus, que quem ama a Deus ame igualmente a seu próximo" ( 1 Jo 4, 21).

São Tomás de Aquino conclui dessas palavras do Apóstolo que a única virtude da caridade abrange não só o amor de Deus, como também o amor do próximo, pois a única e mesma caridade faz que amemos não só a Deus, como também ao amor do próximo, pois a única e mesma caridade faz que amemos não só a Deus, como também o próximo por amor de Deus. Assim se explica o que São Jerônimo narra de São João Evangelista. Perguntado por seus discípulos por que recomendava tão repetidas vezes a caridade fraterna, respondeu: Porque é o preceito do Senhor e a sua observância só basta para a bem-aventurança eterna.

Santa Catarina de Gênova disse uma vez ao Senhor: Ó meu Deus, vós me mandais amar a meu próximo, e eu não posso amar senão a vós. Ao que lhe respondeu o Senhor: Minha filha, quem me ama, ama tudo que eu amo. De fato, quando se ama uma pessoa ama-se também seus parentes, seus servos, seu retrato e até suas vestes, e por quê? Porque são estimadas pela pessoa amada.
Da obra "ESCOLA DA PERFEIÇÃO CRISTÃ" , compilada dos escritos de
Santo Afonso de Ligório pelo Pe. Saint-Omer, C.SS.R.